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Banco Palmas - História do Conjunto Palmeiras


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História do Conjunto Palmeiras

Consta de maneira resumida uma cronologia geral da história do Conjunto Palmeiras.  
A região Nordeste do Brasil é uma das áreas mais pobres país. Suas cidades, ao longo de seu lento desenvolvimento, foram por muito tempo focos da classe alta. Sem embargo, com os inúmeros êxodos rurais, milhões de pessoas, escapando das árdua condições de um campo muitas vezes maltratado pela seca, atrás de oportunidades ou movidos por um sentimento de uma vida melhor abarrotaram a cidade de Fortaleza, tendo um crescimento impressionantemente rápido.

À sombra da falta de planejamento, de auxílio do governo e de estrutura das cidades, as pessoas acabavam construíndo moradias com muitas baixas condições. Essas moradias, hoje popularmente chamados de 'favelas', foram
construídas onde só os mair ricos viviam tornou-se o cotidiano da cidade o convívio forçado de ricos e pobres.

O Conjunto Palmeiras surgiu como a iniciativa do governo de uma 'limpeza sanitária' dessas grandes regiões. Especialmente nos anos da ditarura militar esse processo foi particularmente violento para as familias assentadas. O processo de assentamento do Conjunto Palmeiras em particular, compreendido inicialmente em uma área de 118 hectares, resultou do remanejamento de populaçõese residentes em áreas de risco – principalmente retiradas da favela Lagamar, situada no centro da cidade às margens do rio Cocó, que, em época de cheias, inundava as habitações ribeirinhas – e de outras localizadas em áresa situadas no vetor de expansão urbana, portanto, de grande potencial econômico e especulativo. Ao todo, foram removidas parao loteamento realizado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, por
intermédio da Fundação do Serviço Social de Fortaleza(FSSF), mil e quinhentas famílias faveladas proveniente, além do Lagamar, da Aldeota, Poço da Draga, Arraial Moura Brasil, Morro das Placas e Verdes Mares.

O Conjunto Palmeiras de hoje, guarda muita semelhança com bairros pobres das grandes cidades brasileiras, distinguindo-se destes, pelas amplas avenidas e ruas de fácil acesso e circulação. A minoria das vias de ciculação são de terra batida grande parte possuindo asfalto ou pavimentadas com pedra tosca. Depois de deixar de ser favela, continuou com essa demoninação pelo fato de er afastado do centro da cidade.

O local utilizado para a construção do Conjunto necessitou de muito trabalho para atingir as condições mínimas habitáveis. O local contava com uma enorme quantidade de carnaúbas – daí o dome Palmeiras – que foram arrancadas para liberar o espaço, deixando o solo desnudo e transformando o terreno em um enorme charco em época de chuvas e/ou transbordeamento do riacho que cortava a área.

Em seguida, a Fundação do Serviço Social de Fortaleza (FSSF), demarcou os lotes – que foram vendidos às famílias – e forneceu material para a construção de um cômodo, que deveria ser realizado dentro de trinta dias, caso contrário a família perderia o direito ao terreno. Não havia água, saneamento, energia elétrica, meios de transporte ou qualquer outro tipo de serviço público.

A água era trazida por caminhões pipas para abastecer vasilhames que serviriam para o atendimento das necessidades das famílias e, como a água era insuficiente, muiras vezes não era possível preparar os alimentos e para beber as pessoas tinham que se deslocar para um poço a 2km de distância.

Em 1977 a população se mobiliza para lutar pela melhoria da saúde no bairro. Em 1978 acontece um conjunto de conquistas importantes: a construção da Escola de 1o Grau Audaci Barbosa, o Centro Social Urbano (CSU) e o Poto de Saúde Pedro Sampaio.


A partir de 1979 são abertas novas quadras e o Conjunto Palmeiras cresce aceleradamente. Tem início a luta da comunidade por água tratada e energia elétrica, concomitantemente a consolidação da ASMOCONP com a elaboração e registro de seu estatuto – 02 de Fevereiro de 1981 – seguida de uma campanha para construção de sua sede própria, já que anteriormente se encontrava estabelecida na casa da presidente da Associação. Como decorrência desse processo, amplia-se a mobilização popular e generalizam-se as lutas por diversos serviços.

Em 1988 a luta pelo estabelecimento de água teve seu ápice, em meio a uma intensa mobilização popular, com duas peasseatas à Companhia de Água e Esgoto do Ceará – CAGECE - e, posteriormente, uma grande concentração em frente a sede do Governo do Estado, as lideranças locais deram um ultimato: ou se implantava a rede de água do Conjunto ou explodiriam a tubulação da dutora que abastecia a cidade de Fortaleza e que passava sob a área do Conjunto Palmeiras. Deram um prazo de quinze dias para o início das obras pelo governo.

Episódios tumultuosos seguiram o ocorrido. Os moradores, depois de feito o ultimato, temiam sofrer as conseqüêmcias do governo, uma vez que não tinham explosivos nem uma estratégia bem consolidada de como realizar o ameaçado. Com o fim do ultimato os moradores se reuniram com picaretas e outros artefatos de trabalho e iniciaram a “escavação” em um lugar supostamente aleatório. A polítia tentou impedir e, sob ameaças de explodir tudo aquilo, os moradores convenceram a força policial a negociar com o governador, assinando, o mesmo, a liberação da obra para o Conjunto Palmeiras: se mobilizaram, lutaram, e conseguiram que o projeto fosse iniciado pelo governo.

A mobilização continuou a crescer, em 1990, vinte e seis organizações populares já existiam no bairro, demonstrando o grande nível de participação popular do bairro e em 1991, as lideranças comunitárias  
do bairro organizam o seminário “Habitando o Inabitável”, que se torna um marco na história do Conjunto. Do seminário saíram duas importantes deliberações: criação da União das Associações e Grupos Organizados do Conjunto Palmeiras (UAGOCONP) e definição de um plano estratégico cujo objetivo era urbanizar o bairro nos próximos dez anos. Na verdade o seminário deliberou por um pacto social entre todas as organizações populares do bairro para juntas, definitivamente, tornarem o Palmeiras possível de se viver com dignidade.

Em 1992, com apoio dos técnicos do PRORENDA, deu-se início a elaboração do Plano de Desenvolvimento Comunitário Integrado – PDCI, tendo como foco a promoção do desenvolvimento pessoal integrado na comunidade, fazendo com que cada morador se sentisse, dentro dos temas debatios – Doenças Sexualmente 
  Transmissíveis, AIDS/HIV, princípios de higiene e saúde, segurança, educação ambiental, desenvolvimento comunitário, etc. - partícipe da construção de seu futuro e da comunidade em que vivia.

Vários instrumentos foram criados e utilizados pela comunidade para espalhar a mensagem de uma maneira efetiva e participativa como: o Jornal comunitário “Desperta Palmeiras”, os programas da rádio Santos Dias, as diversas manifestações teatrais, as cartilhas informativas e as publicações “Memórias de Nossa Luta” dentre várias outras, sempre utilizando uma mensagem simples de morador para morado.


A característica que mais se destaca nos moradores do bairro é a da participação exepcionalmente ativa em qualquer projeto, plano, construção e ação que lhes afete a vida. Em todos os planejamentos propostos pelo PRORENDA para o problema das enchentes a população opinou, argumentou e modificou, adaptando-o para as necessidades e realidade dos beneficiados: os moradores. Em 1995, o PROSANEAR, um projeto para a construção de saneamento básico no baiiro, podemos presenciar o mesmo ocorrido. Os moradores não aceitaram a proposta inicial da maneira que lhes foi apresentado, fazendo várias alterações e um rigoroso controle fiscal dos recursos de 
da qualidade técnica da obra.

Em 1997, foi realizado um encontro de avaliação do Seminário “Habitando o Inabitável” que chegou à conclusão de que o bairro já estava urbanizado, mas a pobreza econômica dos moradores tinha aumentado. O bairro, mesmo havendo conquisatado muito, ainda sofria com o desemprego, pouca circulação local de renda e pobreza. O seminário, por fim, deliberou pela criação de um projeto de geração de trabalho para o bairro. Esse projeto, inaugurado em 1998 e que pouco tempo depois haveria de se transformar em uma das instituições mais importantes do bairro, recebeu o nome de Banco Palmas.
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